eu vi um avião
enquanto um caminhão me atropelava contra um muro de flores
e seus tijolos eram lançados um por um
como aquelas pequenas ideias que me largaram ali
e os meus trapos de vivencia começavam
a se definhar
e que tudo no lodo fazia parte
daquela construção
E o grande avião, que agora
não passa de um torto
simples
belo
ponto
um rastro de ar
deixado para a vista de alguns
e eu com um semblante na espera
daquele avião
Por que não, viajar subir ao centro do horizonte?
desaparecer feito dente-de-leão
de modo que ninguém sinta
veja
saiba
para onde eu sumi
E aquele caminhão que estava
repleto de flores para mim
acabou de se petrificar
ao ver o avião
que não passava
de um ponto vão
Alberto Torres